O Prêmio Nobel de Economia de 2025 confirma o que Schumpeter já sabia: o crescimento nasce quando o Estado compartilha o risco da inovação e transforma o conhecimento em base de prosperidade coletiva
Mais um Prêmio Nobel de Economia confirma a importância de o governo fomentar a inovação para gerar Desenvolvimento Econômico Baseado no Conhecimento (DEBC). Esse conceito representa uma transição profunda nas bases da prosperidade: das economias centradas na produção industrial e em recursos físicos para aquelas que valorizam os ativos intangíveis, o capital intelectual e a capacidade de aprender e inovar continuamente. Fico feliz em ver que, em 2025, Philippe Aghion, Peter Howitt e Joel Mokyr foram reconhecidos por mostrar como a inovação gera crescimento sustentado — uma ideia que remonta ao pensamento de Joseph Schumpeter, o visionário economista que, ainda em 1911, já defendia que o capitalismo se renova quando o novo substitui o obsoleto.
Trabalho com fomento desde que ingressei no setor de tecnologia, em 2004. Vi de perto, por meio de projetos, pesquisas e da convivência com empresas inovadoras, o quanto é essencial o Estado correr risco junto ao empreendedor inovador. É ele quem gera novos mercados, novas formas de consumo e, sobretudo, novas possibilidades de desenvolvimento. As políticas de desenvolvimento ganham força quando tratam a inovação como um esforço conjunto — em que o Estado, o empreendedor e a sociedade compartilham o risco e o aprendizado do novo.
Décadas depois de Schumpeter, Elinor Ostrom, também reconhecida com o Nobel, demonstrou que bens comuns prosperam quando são geridos coletivamente, com regras claras e confiança. O mesmo vale para o conhecimento e os dados: quanto mais são compartilhados, mais valor geram. Tratar dados como bem comum é reconhecer que a inovação floresce quando a informação circula, quando a transparência estimula a colaboração e quando o aprendizado coletivo supera o isolamento competitivo.
Dados abertos — científicos, empresariais e sociais — são a matéria-prima das novas tecnologias que melhoram a qualidade de vida, fortalecem políticas públicas e ampliam a competitividade. Quando pesquisadores, empreendedores e governos têm acesso a esses insumos, surgem soluções baseadas em evidências e novas cadeias de valor — o motor do Desenvolvimento Econômico Baseado no Conhecimento.
Na tese de doutorado que desenvolvi, propus um framework: conhecer, criar, fomentar, inovar e competir. Esses elos encadeados definem o ciclo virtuoso do desenvolvimento. Cabe ao Estado fortalecê-los com políticas públicas, crédito e incentivos. Fomentar, portanto, é mais do que financiar — é investir na incerteza, aceitando que nem toda aposta dará certo, mas que cada tentativa gera aprendizado público e abre espaço para o próximo ciclo de crescimento, podemos trazer como exemplos polos tecnológicos que por meio destes ecossistemas foram fomentados e geraram desenvolvimento econômico, como Porto Digital, Florianópolis dentre outros.
O Brasil já possui bases sólidas: universidades e centros de pesquisa de excelência, agências de fomento ativas, um ecossistema vibrante de startups e ambientes de inovação. O desafio é ampliar os esforços trazendo mais linhas de fomento, diminuir as garantias reais e facilitar os acessos por meio de programas, impulsionar o país e os ecossistemas regionais de inovação. Quando o conhecimento é tratado como bem comum e o Estado corre risco junto com o empreendedor, o resultado é mais do que inovação — é desenvolvimento baseado no conhecimento, inclusivo e sustentável.

Jamile Sabatini Marques é Diretora de Inovação, Fomento e Pesquisa na ABES.
*Artigo originalmente publicado no Portal Inovativos em 3 de fevereiro de 2026



